7. Pesquisa e análise de fotógrafos
Nesta aula, tivemos que nos dividir em grupos e realizar a pesquisa e análise de alguns fotógrafos, de modo a discutir com os colegas a exploração de cada artista e os diferentes recursos utilizados por eles para criar novos sentidos e o direcionamento do observador.
Sebastião Salgado
Nascido em 1944, em Aimoré, Minas Gerais, é considerado um dos maiores mestres da fotografia humanista.
Seu vasto trabalho é fruto de diversas viagens por dentro e fora do Brasil, sendo lembrado frequentemente por seu trabalho na série Gold, que, após conviver entre os mineradores da Serra Pelada por 30 dias, retrata as suas duras condições de trabalho em 1986, na considerada maior mina de ouro a céu aberto do mundo.
Também ressalta-se suas obras nas séries “Sahel: o homem em agonia” (1986), “Trabalhadores” (1992) e “Terra” (1997), todas com ênfase na retratação dramática da desigualdade social.
Na primeira fotografia selecionada, “Garimpeiros em serviço”, é possível identificar a denúncia das más condições de trabalho e da falta de segurança destacada no primeiro plano. Há também uma hiper profundidade do campo, com a captura do movimento dos trabalhadores, que se assemelham a formigas carregando os materiais em fileiras durante dias e noites. Além disso, há o retrato de uma grande quantidade de pessoas em um local muito extenso que, o que as fazem parecer, vistas de longe, muito pequenas. A imagem também parece criar um caracol/redemoinho que engole as pessoas para dentro da mina.
Já a segunda composição destaca pinguins que, pretos em um fundo branco, formam uma linha diagonal que guia o sentido do olhar do observador, bem como sua leitura. A cena é emoldurada pelas rochas e pelo mar, que apesar de comporem grande parte do cenário, não tiram o foco das aves, e pelo contrário, contribuem para a dramaticidade da obra. A sequência dos pinguins também remonta uma repetição da ação dos animais, que parecem esperar uns aos outros para tomar uma mesma atitude. É possível também ver o iceberg como se fosse uma onda que tende a engolir as aves e toda a cena, ou então um navio em naufrágio, onde os passageiros são os pinguins, que tentam fugir do local.
Mapplethorpe
Foi um fotógrafo estadunidense, conhecido pela sensibilidade no tratamento de temas controversos e no uso do preto e branco na fotografia. Seu trabalho abrangia uma variada gama de interesses, indo de retratos de celebridades, nu artístico, auto-retratos e imagens de flores.
Mesmo tendo um grande interesse em variados temas, foi na arte erótica, que Robert se destacou, tendo considerado alguns de seus próprios trabalhos como pornográfico, mas com a preocupação de não chocar o espectador.
Ele explorava o erotismo de várias maneiras, com ênfase no retrato de nus artísticos femininos e masculinos
Na primeira imagem selecionada é retratada uma flor que se destaca no fundo preto da cena. A planta é bela e delicada, ao mesmo tempo em que parece dançar com suas pétalas e folhas curvadas e sua representação diagonal. Uma das flores se fecha enquanto a outra se abre, ampliando o ar erótico da cena.
Já na segunda foto, o prazer é retratado de forma explícita, com os corpos dos atores unidos e a expressão de satisfação mostrada pela face, centralizada, de um deles, ideias impulsionadas também pelo enfaixe dos personagens.
Albert Renger-patzsch
Foi um fotógrafo alemão, nascido em 1897, que se formou em química e se dedicou à fotografia. Sua formação teve grande influência em suas fotos: Albert se dedicou a buscar a essência subjetiva e a universalidade de todos os objetos.
O estilo de Renger era objetivo, se afastando das tendências vanguardistas da época. As obras dele são de grande exatidão e precisão, defendendo o caráter artesanal da fotografia frente à experimentação realizada pelos fotógrafos de vanguarda.
Albert é muito associado ao movimento da objetividade, graças ao emprego funcional da luz, enquadres diferentes e foco nítido. Seu trabalho ajudou a renovar o realismo fotográfico ao valorizar a habilidade de reproduzir a textura e representar a essência de um objeto.
As fotografias de Patzsch também são interessantes para compreender em que ordem um espectador faz a varredura da imagem.
Na primeira foto escolhida, “Viper’s Head” (1925), o autor leva o olhar do observador a percorrer todo o corpo da cobra retratada, dando destaque para o elemento que compõe o corpo da cobra: as escamas. Albert impulsiona o leitor a terminar a varredura da imagem no olho penetrante da cobra, que centraliza a imagem.
Já a segunda fotografia foi tirada da parte inferior de um cogumelo guarda-sol comum encontrado em florestas e pastagens em todo o hemisfério norte. Em análise, pode-se verificar uma exploração do caráter psicodélico que as lâminas do fungo criam ao convergir para o anel, associadas ao emprego exclusivo do preto e do branco. A fotografia parece uma expressão totalmente gráfica e é difícil identificar o cogumelo sem a legenda. A visão do leitor da imagem também é levada, assim como as lâminas, a convergir para o centro do fungo.
Comentários
Postar um comentário